Semana passada aproveitei o período entre empregos para resolver alguns pequenos problemas que sempre deixava para depois. Com meu carro estava se tornando um exemplo real da teoria da janela quebrada, achei adequado colocar um fim nesse ciclo de descaso e levá-lo ao conserto. Poderia ter feito isso sozinha, mas como o André estava de férias, ele acabou indo comigo.
Cheguei na oficina dirigindo, estacionei o carro e fui falar com um atendente. Depois de esperarmos um pouco, o vendedor veio e a primeira coisa que ele fez foi estender a mão… para o André. Em seguida fomos fazer um orçamento e, para isso, era necessário preencher um cadastro. Nem preciso dizer que ele quis fazer o cadastro do André, que teve que corrigí-lo, afinal, a dona do carro sou eu. Mesmo depois disso, meu amigo atendente teimava em perguntar meus dados para o meu marido. Fico pensando: será que ele pensou que eu não era capaz de saber o endereço da minha casa ou pior, meu CPF?
Fizemos a primeira parte do orçamento, mas ele teria que ver o carro para me dar um veredicto final. Enquanto o mecânico tirava o pneu para ver se poderia aproveitar uma parte do amortecedor - o que iria ter um ótimo impacto no meu bolso - ficamos, eu e o André, sentados na sala de espera. Por 3 vezes nosso amigo atendente quis mostrar novos defeitos que teriam impacto no, veja bem, *meu* orçamento, mas ele era incapaz de se dirigir a mim e falava diretamente ao André.
Tenho que dizer que fiquei uma pilha de nervos. Além de ter que pagar uma fábula - praticamente todo meu décimo terceiro - para consertar o carro, ainda estava sendo claramente vítima de preconceito. Veja bem, eu sou a dona do carro e do dinheiro, mas para o mecânico eu não tenho domínio sobre meu carro. E o pior é saber que o André entende tanto de carro quanto eu.
O curioso é que essa não foi a primeira vez que eu passei por uma situação de preconceito. Uma vez, quando eu morava no Rio, fui parada por um guarde de trânsito por ter cometido uma pequena infração. O guarda olhou pela janela do carro e, ao invés de falar comigo, pediu para o André, que estava no banco de passageiros, sair do carro. A bem da verdade, tudo que ele queria era uma propina, então tentou negociar. Mal sabia ele que tinha escolhido a pessoa mais errada do mundo para tanto, o dia em que o André pagar propina o mundo acaba. No fim das contas, ele nos deixou ir, sem me multar e com uma cara de tacho, sem acreditar que não ganhou nenhum tostão…

Carlos André Ferrari
Se eu fosse o André, eu iria realmente me aproveitar da situação para tirar umas com o cara que estava atendendo.
tipo.. depois de quantos “não sei, pergunta pra ela” ele iria se tocar?
[]’s
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