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Petitpois » Notas soltas sobre conceitos da moda
04.01.07

Notas soltas sobre conceitos da moda

Arquitetura de Informação, long tail

Nos últimos tempos três livros não específicos dominaram boa parte das conversas sobre arquitetura de informação: The Long Tail (A cauda longa), The wisdom of Crowds (A sabedoria das multidões) e The Paradox of Choice (O paradoxo da escolha). Já li o primeiro, inclusive falei sobre ele aqui, estou na metade do segundo e só li artigos e resenhas sobre o terceiro.

Ontem, lendo um desses artigos, uma entrevista com Barry Schwartz, o autor do The Paradox of Choice, fiquei pensando sobre as relações entre os conceitos descritos nestes 3 livros.

The Long Tail fala sobre uma nova economia, onde mercados de nicho podem ser mais lucrativos do que grande hits devido ao baixo custo de estoque e a possibilidade de se atingir grandes mercados resultantes da integração promovida pela internet. Algumas conseqüências disso são uma maior disponibilidade de produtos e a conseqüente necessidade de filtros que ajudem cada um a encontrar os produtos que lhe agradam em meio a uma infinidade de opções.

O Paradox of Choice, por outro lado, fala sobre como uma grande diversidade de opções pode ser, na verdade, ruim. Ele descreve 3 possíveis efeitos desse fenômeno: paralisia, ou a desistência de se fazer uma escolha; escolhas ruins; e a sensação de se ter feito uma escolha ruim mesmo quando sua opção foi boa. Posso dizer que me identifiquei com esses efeitos. Quantas vezes eu já não me estressei, acreditando que com tantas opções disponíveis, uma teria que ser perfeita…

Em resumo, Chris Anderson, autor do The Long Tail, defende que as pessoas querem ter mais opções, e que isso pode ser uma grande forma de renda em novos modelos de negócios. Por outro lado, Barry Schwartz aponta conseqüências não muito boas advindas da nossa necessidade de escolher entre todas as opções. Como você pode perceber, estes dois pensamentos tão em voga atualmente parecem ser contraditórios… E de certa forma são. O que é ótimo, pois contradições são uma das partes mais interessantes da mente humana.

Pensando no assunto, eu encontrei dois modos de entender melhor essa relação. Podemos, por um lado, entender Long Tail como um fenômeno ligado a bens culturais. Os exemplos citados no livro são, na sua grande maioria, pertencentes a esse meio. Aluguel de filmes, download de músicas, compra de livros… Esses são os mercados que inspiraram a teoria e pode ser que ela seja válida com mais freqüência nesse contexto. Ao mesmo tempo, pode ser que o Paradoxo da Escolha não se aplique tão bem a esse contexto quanto a outros. Bens culturais não competem da mesma forma que sabores de geléias.

Outra forma de entender essa relação é pensar nos dois conceitos como forças opostas, e que, para cada pessoa e mercado existe uma equação ideal de opção X satisfação. Um ponto muito estressado na teoria do Long Tail é a necessidade de filtros que tragam evidência aos conteúdos relevantes de acordo com o perfil de cada um, e isso me leva a pensar nas idéias do terceiro livro da moda: A sabedoria das multidões. Como poderemos criar filtros eficientes para todos os contextos em que estes se mostram necessários? Uma saída pode ser um aproveitamento inteligente da sabedoria coletiva, que no fim das contas, é o que tornou o algoritmo do Google o que ele é hoje.

Eu posso ter falado um monte de besteiras aqui, mas acho que esse assunto ainda merece bastante atenção e eu ainda não vi nenhum artigo que explore a relação entre estes três conceitos. Por falar nisso, alguém tem alguma sugestão?



9 Feedbacks on "Notas soltas sobre conceitos da moda"

odba

Precisa de artigo? ; )P

Acho que vc colocou de forma bem clara que são todos parte do mesmo fenômeno: a produção social de filtros transformando o problema do excesso de opções no potencial das caudas longas.

Aquele livro que eu comentei uns dias atrás (Wealth of Networks) tem um capítulo (capítulo 7) onde discute isso num contexto semelhante: o efeito da internet no debate democrático.

em wiki, sem figuras e já na seção certa:
http://www.benkler.org/wealth_of_networks/index.php?title=Sentence-sliced_Text_Chapter_7#Critiques_of_the_Claims_that_the_Internet_has_Democratizing_Effects

ou com figuras em pdf:
http://www.benkler.org/Benkler_Wealth_Of_Networks_Chapter_7.pdf

Os apoiadores da democracia digital diziam que todos teriam igual voz. Os críticos diziam que haveriam vozes demais e ninguém seria ouvido.

O que observa-se hoje é que as pessoas organizam-se em grupos de interesse específicos onde as melhores idéias são filtradas e elevadas a grupos de interesse menos específico até alcançarem os meios de grande circulação.

Basicamente um sistema de produção social de filtros.

; )

Há outras críticas, que também são válidas para sistemas de recomendação de produtos, por exemplo se o impacto do capital nesses sistemas de produção social não vão fazê-lo reproduzir os mesmos vícios das grandes mídias (o que nos leva ao seu post anterior sobre blogs querendo ganhar hits a todo custo).

O capítulo responde (como de certa forma aquele seu post já dá algumas idéias) a essas críticas, mas talvez o linguajar não fique tão claro para quem não leu o que vem antes no livro sobre a economia da sociedade da informação em rede.

O mesmo capítulo também traz uma série de referências a artigos e outros textos que podem ser interessantes.

Ab s!
do
Ab do



Nádia

Olá, Carol!

Queria parabenizá-la pela iniciativa de relacionar esses conceitos que vêm dominando as dicussões sobre AI. Eu, fã do mr. Anderson, aposto nos mercados de nicho e a importância que eles terão na vida de cada um, uma vez que os consumidores, ávidos pelo consumo de qualquer espécie, terão o poder infinito de escolha a um clique de distância e sem se sentirem “generalizados”.



Nádia

By the way, Michel Lent publicou este post interessante no seu blog:

Jornal Long Tail
http://www.lent.com.br/viu/archives/2006/12/jornal_long_tai.html



Alexandre Fugita

Olá Carol!

Perfeito seu artigo! Resume muito bem cada conceito. Eu li o livro da Cauda Longa (achei fantástico!) e li artigos sobre a Sabedoria das Multidões (acertei? hehehe!). Quanto à outra teoria aparentemente em conflito com a da Cauda Longa, acho que li uns artigos perdidos por aí… preciso verificar no meu delicious, hehehe!

Até!



lulileslie

Oi Abdo,
que bom que você acha que o que eu escrevi faz algum sentido. =)

Eu comecei a ler este livro que você indicou, mas nossa, acho que minha capacidade de concentração já não é mesma da época da faculdade… Não estou mais acostumada ao tipo de linguagem usada por ele, mas vou pegar um momento de calma e tentar ler com mais atenção, pois ele parece ser realmente muito interessante.

Quanto aos filtros, esse assunto ainda vai dar muito o que falar. Uma das razões é a proporção de gente que só consome / participa ocasionalmente / participa sempre. Em sites como o Digg, 3% dos usuários sugerem 80% das histórias (tenho os números precisos em algum lugar…) e isso gera uma grande distorção. As histórias mais famosas não são as melhores para o público como um todo, mas sim para uma minoria específica. Existem muitos estudos que tentam neutralizar esse tipo de efeito, mas eles ainda têm muito chão pela frente…

Fiquei feliz que você descobriu o meu blog, seus comentários têm sido ótimos!



Techbits

TV e YouTube: diametralmente opostos…

Os últimos dias foram agitados e o assunto do momento foi o YouTube e aquela modelo que estragou sua imagem completamente. Mas quais os motivos para YouTube fazer tanto sucesso? Rede social? Vídeos engraçados? Tapa na Pantera? Não, nada disso. A ra…



MrLee

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