Notas soltas sobre conceitos da moda
Arquitetura de Informação, long tail
Nos últimos tempos três livros não específicos dominaram boa parte das conversas sobre arquitetura de informação: The Long Tail (A cauda longa), The wisdom of Crowds (A sabedoria das multidões) e The Paradox of Choice (O paradoxo da escolha). Já li o primeiro, inclusive falei sobre ele aqui, estou na metade do segundo e só li artigos e resenhas sobre o terceiro.
Ontem, lendo um desses artigos, uma entrevista com Barry Schwartz, o autor do The Paradox of Choice, fiquei pensando sobre as relações entre os conceitos descritos nestes 3 livros.
The Long Tail fala sobre uma nova economia, onde mercados de nicho podem ser mais lucrativos do que grande hits devido ao baixo custo de estoque e a possibilidade de se atingir grandes mercados resultantes da integração promovida pela internet. Algumas conseqüências disso são uma maior disponibilidade de produtos e a conseqüente necessidade de filtros que ajudem cada um a encontrar os produtos que lhe agradam em meio a uma infinidade de opções.
O Paradox of Choice, por outro lado, fala sobre como uma grande diversidade de opções pode ser, na verdade, ruim. Ele descreve 3 possíveis efeitos desse fenômeno: paralisia, ou a desistência de se fazer uma escolha; escolhas ruins; e a sensação de se ter feito uma escolha ruim mesmo quando sua opção foi boa. Posso dizer que me identifiquei com esses efeitos. Quantas vezes eu já não me estressei, acreditando que com tantas opções disponíveis, uma teria que ser perfeita…
Em resumo, Chris Anderson, autor do The Long Tail, defende que as pessoas querem ter mais opções, e que isso pode ser uma grande forma de renda em novos modelos de negócios. Por outro lado, Barry Schwartz aponta conseqüências não muito boas advindas da nossa necessidade de escolher entre todas as opções. Como você pode perceber, estes dois pensamentos tão em voga atualmente parecem ser contraditórios… E de certa forma são. O que é ótimo, pois contradições são uma das partes mais interessantes da mente humana.
Pensando no assunto, eu encontrei dois modos de entender melhor essa relação. Podemos, por um lado, entender Long Tail como um fenômeno ligado a bens culturais. Os exemplos citados no livro são, na sua grande maioria, pertencentes a esse meio. Aluguel de filmes, download de músicas, compra de livros… Esses são os mercados que inspiraram a teoria e pode ser que ela seja válida com mais freqüência nesse contexto. Ao mesmo tempo, pode ser que o Paradoxo da Escolha não se aplique tão bem a esse contexto quanto a outros. Bens culturais não competem da mesma forma que sabores de geléias.
Outra forma de entender essa relação é pensar nos dois conceitos como forças opostas, e que, para cada pessoa e mercado existe uma equação ideal de opção X satisfação. Um ponto muito estressado na teoria do Long Tail é a necessidade de filtros que tragam evidência aos conteúdos relevantes de acordo com o perfil de cada um, e isso me leva a pensar nas idéias do terceiro livro da moda: A sabedoria das multidões. Como poderemos criar filtros eficientes para todos os contextos em que estes se mostram necessários? Uma saída pode ser um aproveitamento inteligente da sabedoria coletiva, que no fim das contas, é o que tornou o algoritmo do Google o que ele é hoje.
Eu posso ter falado um monte de besteiras aqui, mas acho que esse assunto ainda merece bastante atenção e eu ainda não vi nenhum artigo que explore a relação entre estes três conceitos. Por falar nisso, alguém tem alguma sugestão?

